Fraude em exame de legislação

Dois integrantes de uma quadrilha são presos após tentarem tirar carteira de habilitação para outra pessoa

De: Super Notícia Polícia

A Polícia Civil prendeu anteontem, em Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte, parte de uma quadrilha que fraudava exames de legislação em todo o Estado, principalmente na capital.

Gleysson Pereira Neves e Jonathan Pablo Mendes Pereira foram presos no início da tarde, logo depois do fim de uma prova de legislação.

Segundo o delegado de trânsito de Santa Luzia, Christian Nunes de Andrade, os criminosos fazem parte de uma quadrilha que convence pessoas - que apresentam dificuldade em passar em exames de legislação - a pagarem pela aprovação. "Geralmente, as pessoas que pagam são humildes e possuem pouco estudo", disse o delegado.

Ele explicou, ainda, que o esquema funciona da seguinte maneira: um dos bandidos, o chamado laranja, realiza a prova no lugar do real candidato. Para isso, ele falsifica a carteira de identidade, colocando sua foto no lugar da de quem realmente deveria estar fazendo a prova.

No golpe de anteontem, enquanto Jonathan Pablo Mendes Pereira estava fazendo a prova, os policiais desconfiaram que a carteira de identidade apresentada havia sido falsificada. Então, os policiais seguiram para a casa do real candidato, Dione Henrique de Oliveira.

Ao chegarem ao local, os policiais confirmaram que Dione estava em sua residência e que quem estava realizando o teste era mesmo uma outra pessoa. Dione confirmou ter pagado a quantia de R$ 500 para que outro fizesse o exame em seu lugar e revelou que Gleysson Pereira seria o agenciador da quadrilha. Além disso, ele contou aos policiais que iria pagar mais R$ 500 depois que saísse o resultado da prova.

Sabendo que Jonathan estava fazendo o exame no lugar de Dione, os policiais pediram que ele apresentasse suas digitais. O suspeito assumiu, então, a autoria do crime e revelou ganhar R$ 200 por prova.

Fiscalização
O delegado explicou que a fiscalização está sendo intensificada em Santa Luzia. Quando os candidatos vão realizar a prova, eles deixam as carteiras de identidade com a Polícia Civil. Durante o tempo do exame, os policiais averiguam a veracidade dos documentos. Além disso, os policiais só devolvem as carteiras para os candidatos. O delegado afirma que, quando a pessoa que faz a prova não é o real candidato, ela não vai buscar o documento, o que facilita a identificação dos laranjas.

Andrade acredita ainda que os dois suspeitos fazem parte de uma quadrilha que atua em todo o Estado, principalmente na região metropolitana da capital. Dessa quadrilha já existem 50 pessoas sendo investigadas, sendo que 12 delas já foram indiciadas, incluindo um policial militar reformado.

Sistema biométrico seria solução

O delegado Christian Nunes de Andrade acredita que a única maneira de coibir esse tipo de crime é implantando o sistema de identificação biométrico. Por meio desse sistema, os candidatos precisam confirmar as impressões digitais antes de realizarem a prova. Ainda assim, ele acredita que podem haver fraudes, mas o aparelho dificulta a ação dos criminosos.

Christian acrescentou que a quadrilha atua em toda a região metropolitana e que os mesmos
laranjas realizam provas em várias cidades, como Ribeirão das Neves e Sabará. Para impedir que isso continue acontecendo, o delegado vai enviar ao Detran um relatório com todos os casos investigados pela delegacia da Polícia Civil de Santa Luzia. Com relação ao crime de anteontem, Christian explicou que o real candidato, Dione, não foi preso porque ele confirmou que pagou pelo exame e concordou em ajudar nas investigações.

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