Primeiro tablet industrial do país é fabricado pela MXT

Fabricação foi iniciada há um ano e meio e produto teve boa aceitação
De: O Tempo Economia

Vestido com um jaleco branco e com luvas nas mãos, o diretor-executivo da MXT Holding, Etiene Guerra, 44, segura com cuidado uma placa do tablet industrial i-MXT, único equipamento do gênero produzido no mercado nacional, pela empresa mineira, instalada em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. "Agora, vou mostrar o produto acabado", diz Guerra, referindo-se ao tablet de sete polegadas, também chamado de terminal embarcado. Já foram vendidas 40 mil unidades do i-MXT, com fabricação iniciada há um ano e meio. No início de 2011, a Polícia Militar de São Paulo comprou 11 mil unidades. "A gente está conversando com todas as polícias do Brasil, mas São Paulo saiu na frente", revela.

Criada em 1999, a MXT tem como carro-chefe os rastreadores. "Hoje, no Brasil, somos líderes, com 60% do mercado. Historicamente, já vendemos 900 mil rastreadores, em 13 anos", diz Guerra. Mas o executivo, que já foi do mercado financeiro, afirma que a empresa tem um projeto agressivo para a América Latina. Em três anos, a MXT quer estar entre os três principais fornecedores de solução de rastreamento. Com faturamento de R$ 75 milhões em 2011, a holding, que reúne cinco empresas, tem projeção de crescimento de 12% para este ano. Dos 240 funcionários, 25% são engenheiros.

Quanto ao i-MXT, o consumidor não vai encontrá-lo no mercado varejista. O tablet industrial é montado de acordo com um projeto encomendado pelo cliente. O equipamento tem um custo equivalente a US$ 1.000 ao sair da fábrica de Betim. "Lá fora, custa US$ 2.000 e chega ao Brasil por mais de US$ 3.000", compara Guerra. Nessa linha de equipamentos robustos, a MXT concorre com de dez a 12 grandes empresas que oferecem soluções em um equipamento com formato de tablet.

Diferenciais. Além do preço vantajoso, o i-MXT oferece Zigbee (tipo de comunicação sem fio), infravermelho, conector ethernet, para plugar o cabo de rede, possibilidade de ter uma antena de GPS externa e saída HDMI. "A gente parou de chamá-lo de tablet porque isso dava uma conotação de varejo, e ele não é um produto de varejo", diz Guerra. O i-MXT foi criado para ser um equipamento embarcado em veículos. Ele suporta determinados níveis de variação de tensão de vibração, o que é uma característica de um produto robusto, desenvolvido para um tipo de ambiente mais agressivo.

Em famílias de produtos, a MXT tem 15 tipos diferentes. Outra novidade no mercado é o equipamento IDP 780, uma solução de rastreamento utilizando a comunicação satelital. A MTX está lançando o modelo em 30 países, integrado com um modem desenvolvido pela canadense SkyWave. O aparelho faz a comunicação com o satélite em 30 segundos. Os 3.000 m² da empresa, instalada no Porto Seco de Betim, ainda guardam diversos outros projetos. Com cerca de 2,3% a 3% da frota brasileira monitorada, Guerra tem uma pergunta ainda sem resposta: "O que preciso fazer para dobrar o monitoramento da frota?".





Minientrevista
"Em Belo Horizonte, o pessoal quer coisa antiga"

O que a MXT está lançando? Agora é um servidor de imagem, o G 100. Ele captura, interpreta e envia a imagem e é um equipamento desenhado para um ambiente hostil. A gente está trabalhando nele para alguns projetos voltados para segurança.

Em quais casos? Por exemplo, na segurança para motoristas de táxis. Ele é instalado dentro de um táxi, e você pode colocar até quatro câmeras. Quando as portas de trás ou da frente se abrem, ele já registra as imagens e manda para um servidor. Se é um bandido que entrou com segundas intenções, não adianta quebrar o equipamento que a imagem dele já foi enviada pela rede de celular. Esse equipamento tem um modem 3G e pode servir para o usuário do táxi.

Serve no ônibus também? Dentro de ônibus, dá para registrar as imagens e disponibilizá-las para os usuários usando um modem 3G. E posso usar esse mesmo equipamento como rastreador da rota do ônibus e como uma central multimídia embarcada.

Quando será lançado? Está instalado num BRT de outro Estado, da região Sudeste, há dois meses, e não é aqui, em Belo Horizonte, porque aqui o pessoal quer coisa antiga. (HL)
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