Prefeitura tem dívida de 3,6 milhões com empresa de coleta de lixo

A empresa que fazia a coleta de lixo em Santa Luzia diz que a Prefeitura não paga o serviço desde julho de 2012. Prefeitura diz que recolhimento já recomeçou nas principais vias.
De: O Tempo Cidades

As prefeituras de cidades mineiras que têm o orçamento comprometido pela redução do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) não conseguem executar serviços básicos. Uma dívida de R$ 3,6 milhões da Prefeitura de Santa Luzia com a empresa responsável pela coleta de lixo faz com que o município da região metropolitana continue com toneladas de sujeira nas ruas.

A Consita, empresa de Belo Horizonte contratada desde de novembro de 2011 pela Prefeitura de Santa Luzia, não é paga pelo serviço de limpeza urbana desde de julho deste ano, e a dívida já atingiu a cifra de R$ 3,6 milhões. O contrato, que seria encerrado dia 11 de novembro de 2012, foi suspenso no dia 28 de outubro, quando a cidade ficou pela primeira vez sem a coleta de lixo nas ruas.

O sócio da empresa José Maria Junqueira alega que o prefeito da cidade, Gilberto Dorneles (PSD), vem empurrando a dívida "com a barriga". "Ele promete pagar em tal data e não paga. Nós estamos com um prejuízo enorme e não temos previsão de quando vamos receber", reclama.

José Maria ainda explica que precisou pagar a rescisão de contrato de 120 trabalhadores que prestavam o serviço em Santa Luzia. "Eu falei com o prefeito para, pelo menos, me dar a quantia para pagar os trabalhadores. Ele me pagou R$ 400 mil para fazer a operação", esclarece José Junqueira, que tem recebido do prefeito a justificativa de falta de repasses do governo federal.

A Prefeitura de Santa Luzia não quis divulgar as condições do contrato com a nova empresa nem dar explicações sobre o motivo que causou a paralisação da coleta do lixo. "A população de Santa Luzia não quer saber o motivo da paralisação, ela quer saber se o serviço vai voltar a funcionar normalmente, e isso já está sendo feito", explicou a assessoria de imprensa da prefeitura.

A assessoria também afirma que, "como tem muito lixo na rua, obviamente vai demorar um pouco para recolher tudo e que, no momento, a prioridade é fazer o recolhimento nas principais vias da cidade e, posteriormente, nos bairros".

Os maiores prejudicados, os moradores da cidade, continuam convivendo com o lixo nas vias públicas e não veem a situação melhorar. A escrevente judicial Viviane Tibúrcio, residente do centro de Santa Luzia, indica que a situação não melhorou em nada. "Eu não vi caminhão de lixo. As ruas continuam imundas. O cheiro é insuportável. Ratos e moscas estão entrando na minha casa, o que nunca aconteceu". A professora Shirlei Aparecida, moradora do bairro Nossa Senhora das Graças, também não percebeu evolução do quadro. "A cidade continua suja. Meu marido só viu um caminhão de lixo bem pequeno. A gente não aguenta essa situação", completa.
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