30% dos trabalhadores de Santa Luzia ficam mais de uma hora no trânsito

Uma das piores no ranking, Santa Luzia tem o índice proxímo ao de São Paulo. Necessidade de ir para outra cidade que faz o índice ficar alto.
De: O Tempoa Cidades

Todos os dias, 342.073 moradores de Belo Horizonte e da região metropolitana passam mais de uma hora no trânsito entre a casa e o trabalho, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada ontem. O índice corresponde a 16,8% dos trabalhadores desses locais, superior às marcas nacional, de 9,6%, e estadual, de 7,7%.

Os moradores de Santa Luzia são uns dos que mais sofrem com o trânsito entre a residência e o trabalho - 30,2% da população ocupada passa mais de uma hora no percurso, índice muito proxímo ao de São Paulo, onde a marca é de 31%.

Ribeirão das Neves é a primeira do ranking, com 41,8% pessoas nessa situação. Ibirité é a segunda cidade da região metropolitana a apresentar o maior índice (36,4%), seguida de Sarzedo (31,6%) e Santa Luzia (30,2%). Considerando só Belo Horizonte, 16,6% dos trabalhadores levam mais de uma hora até o trabalho, o que coloca a cidade em terceiro lugar no ranking do Sudeste.

"A demora no deslocamento está associada ao adensamento das grandes áreas urbanas, onde as pessoas precisam, muitas vezes, se deslocar de uma cidade para outra. Mesmo quando o trajeto ocorre só dentro da capital, há longas distâncias e também os engarrafamentos", afirmou o analista do IBGE, Antonio Braz.

A contadora Fabiana Guimarães, 33, é uma das que sofrem nos congestionamentos. Ela mora no bairro Caiçara, na região Noroeste de Belo Horizonte, e trabalha no centro da cidade, percurso com pouco menos de 8 km. O que ela poderia fazer em 15 minutos, se não houvesse trânsito, leva mais de uma hora. "Já cheguei a ficar duas horas e 15 minutos dentro do ônibus por conta das obras viárias", relata. Fabiana não vê outra solução para o problema senão morar perto do trabalho. "Mesmo que eu pague mais caro para morar no centro, valerá a pena".
E não é só quem depende de ônibus que sofre. De carro, a jornalista Viviane Lins, 37, leva mais de uma hora entre o local onde mora, no bairro Sagrada Família, na região Leste, e o trabalho, em Contagem. "Eu poderia usar esse tempo fazendo ginástica ou outra atividade. Fico com ódio do trânsito", disse.

O presidente da entidade SOS Mobilidade Urbana, José Aparecido Ribeiro, atribui parte do problema ao número excessivo de semáforos e à falta de gestão para administrar os gargalos. Procurada pela reportagem, a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) não quis se pronunciar.
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